Meteoros

Começar um processo de trabalho possibilita sempre abrir novas possibilidades de descobertas. Por isso mesmo é instigante e desafiador ao mesmo tempo.

Meteoros, segundo texto de Max Reinert montado pela companhia, apresenta neste momento inúmeros desafios, pois além de dar continuidade a uma busca por um trabalho mais autoral, mantém uma de nossas principais características que é a experimentação por distintas linguagens a cada montagem (e, as vezes, dentro de uma mesma obra).

Nosso principal intuito é dialogar com a platéia estabelecendo regras claras para um jogo que só se complemente onde ambas as partes possam criar conexões.

Nosso maior desejo é oferecer aos espectadores (e para isso tivemos que experimentar antes, em nós mesmos) uma outra visão sobre alguns aspectos da vida e da realidade. Utilizando o teatro não como um espelho do mundo, mas sim como uma ferramenta para iluminar áreas obscuras em nossas vivências. Um mergulho por temas e pensamentos que não permeiam nosso cotidiano, mas de alguma forma nos acompanham, como uma sombra e/ou uma realidade fictícia possível.

Vida e morte são nossa matéria prima.

 

Release

Téspis cria novas vozes para falar sobre vida e morte!

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foto by Viviane Silva de Paoli

 

 

Dois corpos luminosos e fugazes cruzam o palco. No seu trajeto são portadores de um único ofício: matar / morrer.

Essa é a premissa do novo espetáculo da Téspis Cia de Teatro, chamado “Meteoros”.

Mais uma vez a companhia de Itajaí propõe-se a explorar, através do seu novo trabalho, uma pesquisa aprofundada baseada em conceitos, visões e provocações do teatro contemporâneo. Dirigida por Max Reinert, que também assina a dramaturgia e a iluminação da peça, Meteoros expõe os conflitos vividos por dois atores em cena. Uma mulher que interpreta uma atriz à beira da constatação do que seria real ou ficcional no ato de realizar o seu último papel e um homem psicologicamente perturbado com os seus desejos.

Utilizando-se de metalinguagens o diretor aposta em inovações dramatúrgicas, característica já observada no último espetáculo da companhia, “Pequeno Inventário de Impropriedades”, cuja direção é de Denise da Luz.

foto by Nubia Abe

Existe uma nova dramaturgia sendo construída no país que não se apoia mais numa visão aristotélica do texto. São textos (e consequentemente encenações) que apostam na fragmentação do discurso, na abertura de lacunas para serem preenchidas pelo público, na simultaneidade de histórias, na construção de signos polissêmicos. A utilização do texto dramatúrgico como uma provocação para ser dividida com o público, uma experiência compartilhada e não imposta”, explica Reinert.

Outra novidade em Meteoros é a estreia do ator Jônata Gonçalves na companhia. Convidado para participar da Téspis, através de uma seleção que o grupo realizou no mês de maio, o ator atua na cidade de Itajaí há alguns anos e já participou de outros trabalhos com distintas companhias. Jônata divide o palco com a atriz Denise da Luz, uma das fundadoras da Téspis Cia de Teatro, junto de Reinert. A atriz também assina o figurino da peça. Além disso, o espetáculo confirma a parceria com Hedra Rockenbach, responsável pela ambientação sonora do espetáculo. Hedra também norteia os trabalhos de som do Cena 11 – grupo de dança catarinense de grande reconhecimento nacional e internacional.

foto by Nubia Abe

A Téspis Cia. de Teatro já adaptou para os palcos obras já conhecidas, como é o caso da premiada peça “Medéia – outra versão”, criada a partir da tragédia grega Medéia, de Eurípedes. Porém, na busca por um trabalho mais autoral e que reflita mais claramente suas buscas e inquietações, a Cia começou a produzir sua própria dramaturgia.  

Seguindo o exemplo de “Pequeno Inventário de Impropriedades“, o texto de Meteoros, escrito por Max Reinert, foi produzido e orientado sob o experiente olhar de Roberto Alvim (dramaturgo e diretor da Cia. Club Noir / SP) que ministra a oficina regular do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná – Teatro Guaíra (da qual Reinert faz parte).

Meteoros estreou no dia 18 de agosto de 2012, no Teatro Municipal de Itajaí (SC). Participou dos seguintes eventos:

* Cena 09 – Mostra de Teatro de Joinville,  em 2012, Joinville – SC.
* Projeto Repertórios do SESC-SC – Circuito Norte (Joinville, Jaraguá do Sul e São Bento do Sul), em 2012.
Rede SESC de Teatros – em Chapecó, Lages, Criciúma, Florianópolis, Joinville e Jaraguá do Sul, em 2013.
Maratona Cultural , em Florianópolis, SC, em 2014.
* Caxias Em Cena, em Caxias do Sul, RS, em 2014.
* Laboratório Cena Contemporânea, em Itajaí, SC, em 2016.
* Festival Nacional de Teatro de Chapecó, em SC, em 2016.
* Aldeia Palco Giratório SESC – Itajaí, em Itajaí, SC, em 2016.

 * Este projeto foi patrocinado pelo Porto de Itajaí – Autoridade Portuaria, com benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, através da Prefeitura Municipal de Itajaí e Fundação Cultural de Itajaí.
* Peça escrita durante a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná, sob a orientação de Roberto Alvim, no ano de 2011.

foto by Nubia Abe

 

Ficha Técnica

Direção, dramaturgia, cenário e iluminação: Max Reinert
Atuação: Denise da Luz e Jônata Gonçalves
Ambientação Sonora: Hedra Rockenbach
Figurinos: Denise da Luz
Costuras: Lélia Machado de Melo
Cenotecnia: Fer-Forge
Ilustrações do material gráfico: Silvia Teske
Fotografia: Núbia Abe e Viviane Silva de Paoli
Assessoria de Imprensa: Jônata Gonçalves
Produção: Téspis Cia. de Teatro


Patrocínio:
Porto de Itajaí – Autoridade Portuaria, com benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, através da Prefeitura Municipal de Itajaí e Fundação Cultural de Itajaí.

 

foto by Nubia Abe

 

Sinopse

Duas personagens que repetem um discurso dado por outros. Duas pessoas que são portadoras de um ofício terrível. Morrer e matar. Matar ou morrer. Dois “objetos” luminosos cruzam o palco. Sem ter muitas informações sobre suas naturezas, assistimos a suas passagens fugazes e aparentemente sem sentido. Dois fenômenos que podem apresentar várias cores, que são dependentes de suas velocidades e composições. Rastros, que podem ser designados por persistentes, se tiverem duração apreciável no tempo. E podem apresentar também registro de sons. Um meteoro é também por vezes designado de «estrela cadente».

foto by Nubia Abe

 

O que já se disse:

Meteoros transforma a luz e a narrativa fragmentada em pontos de tensão

TEXTO: Johannes Halter

Quando oito lâmpadas acendem atrás de dois corpos, o público aguarda o próximo movimento da Téspis Cia de Teatro. Trata-se do espetáculo Meteoros, que foi apresentado no dia 25 de agosto na Mostra de Teatro de Joinville CENA Nove. Com o Galpão da Associação Joinvilense de Teatro (Ajote) lotado, os atores puderam apresentar uma experimentação artística nova para o público que prestigiou a noite de encerramento da edição 2012 da CENA.

As luzes começaram concentradas, oferecendo um ambiente de mistério ao Galpão. Como era móvel, a iluminação mudava de posição de acordo com a etapa em que a peça encontrava-se. Corpos clareados ou de aspecto obscuro foram elementos trabalhados para complementar a performance dos atores. Uma experiência desenvolvida em Meteoros foi o uso dos próprios atores para mover as estruturas que sustentavam as luzes do palco.

Se somente dois eram os envolvidos, o mesmo não se pode dizer das histórias que expressaram. A cada movimento das lâmpadas, surgia uma nova perspectiva da mesma história. A cada apagar total da claridade, uma nova narrativa. Mas, entre cada novo detalhe ou conto, aspectos da vida envolvendo curiosidade, felicidade e morte tomavam posição. Não aspectos banais desses elementos, mas perspectivas perturbadoras da vida humana.

Diante de reflexões e revelações, o público compreende de forma fragmentada o desenrolar da trama não somente pelo seu conteúdo, mas também pela forma com que as informações são apresentadas – de trás para a frente, de forma picada e com o desenvolvimento paralelo de histórias diferentes. O poder de concentração é desafiado em Meteoros, pedindo um pouco mais do que boa vontade para interpretar seu conteúdo.

Ainda assim, depois de entender o que se passa, os conteúdos trabalhados perturbam o espectador. Estupro, assassinato, mutilação, virgindade, paixão, infância estão presentes consecutivamente na interpretação de Denise da Luz e Jônata Gonçalves. A quebra dos valores convencionais do comportamento humano, ou aquilo que é aceitável na aparência social, leva a uma reflexão sobre o papel do indivíduo e dos valores de sociabilidade.

A peça Meteoros foi escrita em fins de 2011 e montada sob direção de Max Reinert. A estreia aconteceu em 18 de agosto deste ano, em Itajaí, cidade de origem do grupo que tem como características a experimentação e o uso de linguagens inovadoras a cada peça. Meteoros tem somente dois atores, que fazem o trabalho de interpretar e mover a iluminação do espetáculo com precisão, ao lado de uma sonoridade bastante presente no decorrer dos seus 50 minutos de duração.

Meteoros borra as fronteiras entre o espetáculo e o cotidiano

TEXTO: Bruno Arins

Para alguns, contar uma história é sempre um desafio. Há uma necessidade latente de fazer o ouvinte compreender muito além do desenrolar dos fatos. Anseia-se convencê-lo dos detalhes e de sua importância exatamente da forma como a história foi vivida. No teatro, esta suposta dificuldade pode ser tratada com o uso de elementos que servem de argumentos: cenários, objetos, figurinos, iluminação, trilha, tudo o que é permitido quando se trata de produção teatral. Este não foi o caso da Téspis Cia de Teatro, que resolveu fazer de Meteoros, apresentada no último sábado (25), na noite de encerramento da CENA Nove, um depoimento profundo, envolvente e emocionante.

Apropriando-se delicadamente de um texto cortante e sedutor de Max Reinert, os dois atores em cena se revezam para falar de suas angústias acerca do universo que os cerca, aproveitando-se apenas de holofotes que caminham pelo palco e, claro, de sua atuação persuasiva – que não é nem “emprestada”, é vivida. São dois pontos de vista de uma mesma história, duas interpretações, dois sentimentos. Porém, uma mesma angústia: vida e morte. Um deles mata para sentir-se vivo; o outro vive como se sentisse morto. Ambos, entretanto, equilibram-se em suas agonias, transmitindo veracidade, exalando dor e dividindo ansiedade com o público. Afinal, quem é a verdadeira vítima? Qual deles é o culpado, se o mundo é que quis deles que fossem assim? Aliás, para que procurar vítima e culpado se todos nós na vida somos ora vítimas, ora culpados?

“Se eu fosse uma atriz, me sentiria pressionada a fazer algo para entretê-los”, repete a personagem logo no início do espetáculo. Como se o entretenimento devesse existir somente do lado de lá do palco. Pois do lado de cá, da vida, tudo quase que é só entretenimento. Basta perceber o texto de Meteoros em que tudo é senão a nossa própria rotina, ou pelo menos da maioria. Agonia, dor, sofrimento é o que vivemos e morremos diariamente. Talvez por isso não são necessárias outras linguagens além do texto e da iluminação para representá-los e compreendê-los. Porque tudo na vida é ida e vinda. É encontro e despedida. É morte e vida. Vida e morte.

 

Necessidades Físicas

Espaço alternativo com proximidade da platéia e/ou teatro de câmara 

Dimensões mínimas:
09 metros de largura
10 metros de profundidade
04 metros de altura

Iluminação

14 refletores PC 1000W
08 refletores PAR 64 #2 220V
06 refletores Elipsoidais (com faca)
04 estantes (araras) de iluminação lateral
(uma parte do equipamento de luz deve ter cabeamento para ser ligado na altura do piso)

Sonorização

Caixas com potência adequada para o local, diferenciação entre os canais de PA e retorno. Mesa de som com pelo menos um auxiliar PRE FADER e entrada para notebook.

Transporte

03 pessoas
(02 [dois] atores e 01 [um] técnico)
Cenários são transportados com o grupo
Há um pequeno excesso de peso.

 

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