Medéia

 

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"A Téspis Cia. de Teatro apresenta sua versão do mito de Medeia organizado num espetáculo ritualístico, em forma de monólogo. A tônica de Medéia é o amor transformado em ódio sobre-humano. A peça evolui de uma Medéia abatida pelo repúdio do marido, esposa traída que definha no leito, aparentemente conformada com a sorte, para uma mulher animada por um terrível desejo de vingança e extermínio, que não se detém diante do infanticídio para aniquilar completamente o marido."

Dramaturgia criada a partir da tragédia de Eurípedes
Com: Denise da Luz
Adaptação e direção: Max Reinert
Figurinos: Denise da Luz e Vilma Costa da Luz
Iluminação e Sonoplastia: Max Reinert
Sonoplastia mixada nos estúdios Bob Rock Music
Cenário: Denise da Luz e Max Reinert
Confecção do Boneco: Max Reinert e Jason Peixer Jr
Produção: Téspis Cia. de Teatro

"Medéia" é o nono espetáculo da Téspis Cia. de Teatro, na continuação de seu trabalho sobre a ação física, a partir de pressupostos desenvolvidos por vários estudiosos e pela Periplo, Compañia Teatral de Buenos Aires, Argentina.
Versão da tragédia originalmente escrita por Eurípedes (485 a.C. - 406 a.C.), para um elenco de no mínimo 08 pessoas, é levada ao palco pela Téspis Cia. de Teatro como um monólogo onde a atriz explora esta situação de tensão emocional violenta. A tônica de Medéia é o amor transformado em ódio sobre-humano. A peça evolui de uma Medéia abatida pelo repúdio do marido, esposa traída que definha no leito, aparentemente conformada com a sorte, para uma mulher animada por um terrível desejo de vingança e extermínio, que não se detém diante do infanticídio para aniquilar completamente o marido."
Estreou em maio de 2002 durante a programação da 2ª Mostra Internacional de Teatro de Grupo e 6ª Mostra Itajaiense de Teatro realizadas em Itajaí, SC e fez temporada no "Espaço Téspis" durante o mês de agosto do mesmo ano. Participou dos seguintes eventos:

- Projeto Teatro Para Todos realizando apresentações na periferia da cidade de Criciúma, SC, em 2002.
- Festival Nacional de Teatro de Florianópolis Isnard Azevedo, em 2002 (Prêmio de Melhor Cenografia e indicações para Melhor Iluminação e Figurino).
- Teatro Em Cena III, realizado na cidade de Passo Fundo, RS pelo SESC-RS, Rbs TV-RS e Universidade de Passo Fundo, em 2003.
- 13º FECATE - Festival Catarinense de Teatro em Criciúma, em 2003.
- FESTUDO - Festival Nacional de Teatro Universitário em Dourados, MS, em 2003.
- 28º FESTE Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba, SP em 2004 (Prêmio de Melhor Espetáculo, Direção, Cenografia e Sonoplastia e indicações para Melhor Atriz, Iluminação e Figurino).
- FENATA – Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa, PR, em 2004 (Prêmio de Melhor Direção e Cenografia e indicações para Melhor Espetáculo, Atriz e Iluminação).
- Projeto Itajaí Em Circuito – em Tubarão, Rio do Sul, Criciúma, Laguna, Lages, Chapecó, Brusque e Concórdia, SC em 2005.
- Teatro em Cena V, realizado na cidade de Passo Fundo, RS pelo SESC-RS, Rbs TV-RS e Universidade de Passo Fundo, em 2005.
- Aniversário da UPF Lagoa Vermelha, na cidade de Lagoa Vermelha, RS em 2005.
- Convidado para participar do Encontro Internacional de Estudos Clássicos, em Ouro Preto, MG, em 2004.
- 12º Porto Alegre Em Cena, RS, em 2005.
- 20º FESTIVALE – Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, SP, em 2005 (Prêmio de Melhor Cenografia, Iluminação e Sonoplastia e indicações para Melhor Direção).

- 1º K-yau em Cena - Festival Nacional de Teatro de Araçuaí, MG, em 2006.

Necessidades Físicas

- Espaço fechado com as seguintes dimensões mínimas : Largura : 07 mt, Profundidade: 07 mt, Altura: 04 mt + espaço para a platéia organizada em “arena” e 01 Camarim, possibilidade de black-out.
- Equipamento de Sonorização com: Cd ou Md Player, quatro caixas potentes.
- Equipamento de iluminação : 16 refletores PC de 1.000W, 10 refletores Elipsoidais de 1.000W.
- Tempo de montagem: 04 horas.
- Equipe técnica: composta por 03 pessoas (01 atriz e 02 técnicos)
- Material para ser utilizado em cena: areia para cobrir o espaço de representação (aproximadamente 100Kg), barro vermelho (aprox. 30kg) 01 litro de álcool (96o) por apresentação, linóleo preto.

O que já se disse

Espetáculo que prima pela síntese, coesão, harmonia, equilíbrio e absoluta precisão. (...) A atriz tem uma brilhante atuação, presença forte digna da personagem, voz com emoção contida, harmonizando-se assim, com todos os elementos sacralizadores da encenação. Porque a escolha de cada elemento revela a pesquisa intensa e minuciosa. Nada é aleatório, nada é improvisado. Enfim, qualquer gesto, qualquer expressão da voz, qualquer elemento utilizado foi objeto de uma escolha consciente, já que cada detalhe foi sendo depurado, evoluindo para a síntese de sua expressão. Em resumo, a montagem cumpriu seu objetivo: é um espetáculo pleno de teatralidade.
Valderez Cardoso
Mestre em Artes Cênicas pela USP. Trabalhou como dramaturgista com Antunes Filho (1979 a 1987) e como dramaturgista e dramaturga com Ulisses Cruz (1984 a 1996).

(...) Denise da Luz entra em cena, protegida por uma mandala e nesse solo sagrado e ritualístico nos envolve no seu véu mágico do começo ao fim da peça. Orientada por uma direção precisa, o espetáculo resulta num excelente trabalho, provando que pode haver harmonia entre percepção e concepção. (...)
Sérgio Ferrara
Ator e diretor, fundador do grupo Arte do Boi Voador e da Cia. de Arte Degenerada. Trabalhou com o CPT, dirigido por Antunes Filho e também com a Jornada SESC de Teatro.

O espetáculo apresentado pela Téspis Cia. de Teatro é quase uma desconstrução da “Medéia” de Eurípedes. Desconstrução no sentido de demolir o acúmulo de interpretações que, ao longo dos séculos, foram se aglutinando em torno da fábula e a enchendo de conteúdos psicológicos. (...) a ação dramática se passa em espaço adequado: o do ritual, que se manifesta em mandala, como é o pensamento arcaico, ambiente do modelo primal. Isso foi realizado com imaginação, mínimos recursos e muita beleza.
Sebastião Milaré
Dramaturgo e Crítico de Teatro.Atualmente prepara Hierofania, os fundamentos e a descrição do método para o Ator desenvolvido por Antunes Filho.

"... Com sua adaptação do original de Eurípides, (embora não seja a primeira entre nós – algumas já fizeram história, pela qualidade) nome sagrado da tragédia grega, dificilmente o jovem Max Reinert receberia bons conceitos nas universidades tradicionais – professores de literatura teatral e teatro grego (e outros mais) ficam tomados de urticária moral, quando alguém se atreve a alterar os textos originais sagrados, como os rabinos com o Torá e os bispos com a Bíblia.
Não levando em consideração, aparentemente, nem doutores, nem teólogos das purezas instituídas, o moço conseguiu fazer uma adaptação digna de respeito, mantendo os posicionamentos básicos de Eurípedes e fornecendo à figura de Medéia, seu contorno primordial, Reinert trabalhou exclusivamente para a “concretude do palco”, como diria o intelectual Álvaro Lins, quando se iniciava a “modernização” do teatro brasileiro. E marca, positivamente, a presença de criador, no Festivale.

(...) Denise da Luz interpreta sua Medéia com admirável inteireza e grande expressividade. Todavia, ao cumprir sua tarefa de “composição física”, se deixa levar pelas formas – e isto até não é a sua falha, mas sim, o fato de que, então, abandona qualquer verdade da personagem.

Envolta no longo manto tecido por suas próprias mãos na espera de mulher apaixonada, a princesa não demora em se deixar possuir pela fúria do ódio que, sob inspiração dos deuses invocados, vai cumprir a terrível vingança. Suas vítimas primeiras são seus filhos, afogados à nossa frente (contrariando o ritual do teatro grego que proíbe a morte em cena). Então, a tragédia ganha uma brisa de drama."

Fausto Fuser (Diretor, Crítico de Teatro e Pesquisador.)

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