A História do Homem que se Transformou em Cachorro

 

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"Os tempos estão difíceis. Três atores chegam à uma praça e nos contam a história de um homem que, disposto à tudo para sustentar sua família acaba aceitando o emprego de “cachorro do guarda-noturno”. O único problema, é que, nestes tempos, a gente se acostuma a tudo.
A luta pela sobrevivência, as conseqüências deste emprego em seu relacionamento cotidiano e a luta de poder travada entre os funcionários constroem esta fábula bem humorada, e ao mesmo tempo, crítica sobre as relações de trabalho. ”


Dramaturgia de Denise da Luz criada a partir da obra de Osvaldo Dragun
Com Denise da Luz , Cidval Batista Junior e Ilaine Melo
Direção Max Reinert
Figurinos Denise da Luz
Iluminação, Cenário e Sonoplastia Max Reinert
Confecção das Máscaras Cidval Batista Junior
Produção Téspis Cia. de Teatro

A Téspis Cia. de Teatro, desde sua fundação, sempre buscou apoiar seus espetáculos sobre o trabalho dos atores. Dentro do trabalho cotidiano que a Cia. desenvolve sempre buscou não estar apegado à uma única linguagem teatral. O grupo já trabalhou na montagem de espetáculos para adultos, para crianças, com bonecos, com autores clássicos e contemporâneos. Neste espetáculo a Cia. busca encontrar-se com uma linguagem popular, sutil e refinada, tentando não deixar-se seduzir pelos mecanismos mais apelativos da comédia. Ao contrário, utilizar-se de recursos clássicos para construir um espetáculo que possa dialogar diretamente com seu público. Pensando nas questões acima, criamos um espetáculo que possa apresentar-se em quaisquer espaços, desde a sala teatral até a rua, passando pelos salões paroquiais, praças, reuniões de bairro, etc.
O tema para uma comunicação tão direta nos apareceu através de distintos textos de Osvaldo Dragun, mais especificamente “Histórias Para Serem Contadas”. Nada é mais presente no atual panorama político e social que a falta de emprego. Através de um trabalho colaborativo entre atores, autor, direção e linguagem escolhida chegou-se à composição deste novo texto que agora se apresenta.
Estreou em agosto de 2004 e participou dos seguintes eventos:

- FENTEPP - Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, SP, em 2004.
- 28º FESTE Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba, SP em 2004 (Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante e indicações para Melhor Atriz Coadjuvante e Figurino).
- Projeto Itajaí Em Circuito – em Tubarão, Rio do Sul, Criciúma, Laguna, Lages, Chapecó, Brusque e Concórdia, SC em 2005.
- Aniversário da UPF Lagoa Vermelha, na cidade de Lagoa Vermelha, RS em 2005.

- FENATIB - Festival Nacional de Teatro de Blumenau, SC , em 2005.
- 29º FETEL – Festival Nacional de Teatro de Lages, em SC, em 2005.
- Festival Nacional de Teatro de Resende, RJ, em 2006 (Prêmio de Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e indicações para Melhor Espetáculo para Crianças, Iluminação e Trilha Sonora).

Necessidades Físicas

- Espaço plano, com piso, com as seguintes dimensões mínimas : Largura : 09 mt; Profundidade: 07 mt + espaço para a platéia. Tomada de alimentação elétrica.

O que já se disse

“A estória desse Teatro de Rua é contada de “forma cinematográfica” (lembrando Chaplin, Três Patetas e outros) e na linha das histórias em quadrinhos. A coreografia (como no cinema) segue uma trilha sonora que faz lembrar os filmes de Fellini.”

Valderez Cardoso
Mestre em Artes Cênicas pela USP. Trabalhou como dramaturgista com Antunes Filho (1979 a 1987) e como dramaturgista e dramaturga com Ulisses Cruz (1984 a 1996).

“Eu entendi que era um homem que procurava trabalho e foi até uma fábrica... E o patrão disse: - Lata, lata, é pra você latir... E ele começou a latir e ele foi se acostumando, se acostumando e aí acabou virando cachorro.”
Elaine Duarte de Souza
Aluna da 5a Série da Escola de Educação Básica Marechal Luz em Jaguaruna, interior de SC.

“ Foi uma grata surpresa a presença do grupo Téspis Cia. de Teatro, de Itajaí, SC.

O texto, a partir de Denise da Luz, sobre fragmentos da obra de Osvaldo Dragun, tem uma excepcional direção de Max Reinert, que também assina a cenografia e a sonoplastia, juntamente com Arnou de Melo. Os figurinos assinados por Denise da Luz, complementam de forma harmônica o espetáculo.

É a história de um homem, que, disposto a tudo para sustentar a família acaba aceitando um emprego de “cachorro-guarda-cão-noturno”. A necessidade de enfrentar os problemas de sobrevivência, acaba levando o personagem a uma acomodação e muda sua relação familiar e de trabalho. A forte pressão social, acaba fazendo-o se acomodar e assumir o papel que a sociedade lhe impõe.

O tom de comédia hiperbólica, que tangencia o absurdo e o nonsense, a força dos figurinos e a música propositalmente atordoante recriam teatralmente o universo onde se passa a história e a vida daquele casal, pressionado pela turbulência do cotidiano contemporâneo.

O espetáculo tem inúmeros méritos, da concepção, à direção, passando pela trilha musical e pela proposta de encenação, no entanto, os méritos a serem registrados são da direção e do excepcional elenco: Cidval Batista Jr., Ilaine Melo e em especial Denise da Luz que desenvolve um trabalho brilhante.

Além dos méritos intrínsecos do espetáculo, é importante que um festival abrigue uma encenação que provoque polêmica, principalmente quanto à tradicional questão “é ou não um espetáculo para crianças?” resposta difícil de ser encontrada. A criança tem uma possibilidade de compreensão e assimilação muito maior que o adulto tenta limitar, inconscientemente, ou não – talvez uma forma de manter a dominação na relação adulto/criança.

O grupo indica o espetáculo para uma faixa etária a partir de dez anos, o que talvez não corresponda à realidade, pois uma criança de sete anos hoje, neste cyber-espaço tem um grau de informação através do contato direto mesmo com os fatos, ás vezes cruéis, que fazem parte de seu cotidiano. Portanto retomar esta eterna discussão do que pertence ou não ao universo adulto ou ao universo infantil é de suma importância pois aciona diversos campos do conhecimento: psicológico, social, artístico.

As crianças ficaram absolutamente envolvidas pela apresentação, reagiam, demonstrando compreensão em sua possibilidade de leitura.

Importante a presença deste tipo de espetáculo que questiona, por si mesmo, toda a Arte voltada para a criança e adolescente e seus conceitos já cristalizados – talvez prontos para serem repensados e revistos, e que talvez nos coloquem diante de um novo tempo.


Carlos Augusto Nazareth
Crítico do JB – Jornal do Brasil, RJ)

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